ENCONTRO IMEDIATO SOBRE CASTELO DE BODE EM 17JUN1977
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----------Um dos casos mais paradigmáticos conhecidos em Portugal de um encontro imediato com Objectos Voadores Não Identificados, foi o que ocorreu, com um piloto da Força Aérea Portuguesa, próximo de Tomar. O "incidente" aconteceu em 17 de Junho de 1977 sobre a Barragem de Castelo de Bode, próximo de Tomar. Com efeito, José Francisco Rodrigues, na altura com 23 anos, Furriel da F . A . P . pertencendo à Esquadra 31 da Base Aérea nº 3, em Tancos, com mais de 850 horas de voo, foi interveniente num acontecimento que nunca se esquecerá. |
"Andava a escolher em que nuvem havia de se meter" quando viu algo escuro, muito escuro, no meio de uma, que contrastava com as restantes que eram esbranquiçadas; nesse momento deveria estar sobre a vertical daquilo que julga ser uma subestação da Barragem. De imediato pensou tratar-se um um avião "cargo" fazendo também um "voo de instrumentos" e que "aquela mancha escura" seria o nariz do radar, mas logo constatou que o nariz do avião seria extremamente pequeno em relação ao "corpo" que via. Iniciou a volta pela esquerda contactando simultaneamente a torre indagando se havia "tráfego" na zona. Informado negativamente, solicitou que aquela contactasse com BATINA (radar) para averiguar da existência de actividade aérea não identificada naquela área. Informado negativamente, prosseguiu a volta pela esquerda até ter completado 315º. Foi então que surgiu-lhe o objecto a cerca de 6 metros, pelas 11 horas. Nesta altura, o que parecia ser a metade inferior daquele "corpo", que teria entre 12 e 15 metros de comprimento, era bem visível enquanto a restante estava encoberta pelas nuvens parecendo encontrar-se parado ou deslocando-se a velocidade reduzida.
Observou-o durante uns 3 segundos o que foi o suficiente para verificar que era escuro, quase preto, apresentando saliências que presumiu serem janelas - talvez três, quatro ou cinco - de cor branca-amarelada e que "não eram transparentes".

O furriel José Francisco Rodrigues pensa que o objecto terá partido a grande velocidade, uma vez que, repentinamente, deixou de vê-lo. Segundo a testemunha, numa fracção de segundo houve vários acontecimentos que sucederam quase em simultâneo: assim, enquanto observava o OVNI e ao fim de uns três segundos a DO-27 entrou em "perda"!
Nas suas palavras, a aeronave entrou "numa picada incontrolável ", pelo que deixou de ver o "fenómeno". O piloto acha que a "picada" teria sido provocada, muito provavelmente, por uma falha dos filetes de ar na asa, porque o motor manifestou fortes vibrações que originaram a "perda do avião", totalmente fora das suas características. A falta de sustentação da DORNIER foi de tal ordem que o furriel Francisco afirmou:
"pensava não me safar daquela vez". E prosseguiu " ...activei os comandos no sentido de recuperar o avião sem que ele reagisse; cheguei inclusive a activar, cruzando os comandos na tentativa de recuperar, levando o manche à frente; porém, o avião atingiu rapidamente os 140 e, de seguida, os 180 nós. Tentei novamente a recuperação da picada o que consegui finalmente muito perto do solo. Penso mesmo que cheguei de tocar nas árvores ali existentes; por sua vez Gyro (Giroscópio Direccional Electrico) enlouqueceu, porque, quando recuperei, apresentava um desfasamento de 180 graus em relação à bússola ; isto é, depois de ter recuperado reparei que me dirigia para Norte e não para Sul".
Da observação foi feito um relatório preliminar e enviado a Estado Maior da Força Aérea Portuguesa.
Algumas pessoas testemunharam do solo, que o avião fazia um tremendo ruído parecendo cair em "folha morta".
Características da DO-27
O Dornier DO-27 foi o primeiro avião militar a ser construído pela República Federal Alemã, após a II Guerra Mundial. Estudado e desenvolvido por Claudius Dornier, o protótipo voou pela primeira vez em 1954. Concebido originalmente para ser um avião de transporte ligeiro, foi exaustivamente utilizado em diversas situações.
Construídos num total de 574 unidades entre 1957 e 1965, foram vendidos a diversos países, nomeadamente a Portugal. A maneabilidade do DO-27 é caracterizada pela pouca distancia que necessita para aterrar ou descolar cerca de 25 metros -, atingindo uma velocidade máxima de 227 Km/h. Possui um motor de cilindros opostos horizontalmente, que debita uma potência de 270 cv (201 kW), com um peso à descolagem de 1850 Kg e um raio de acção, segundo o construtor , de 1.100 Km.
Em Portugal, entraram ao serviço da Força Aérea em 1961, tendo sido exaustivamente utilizados na guerras em África, como meio de transporte, abastecimento, evacuação de feridos e, finalmente, de ataque ao solo com "roquetes", cujos cabides eram instalados sob a asa. A DO-27 é assim um avião de voo lento e consegue-se mantê-lo em voo a velocidades incrivelmente baixas sem fazê-lo "cair". Mesmo forçando, seria impossível colocar este avião na situação de perda em que se encontrava no momento em que Jose Francisco teve o "encontro imediato" sobre Castelo de Bode. Aliás, dois dias depois, tentou com um colega colocar o avião na mesma situação perigosa o que, logicamente, foi impossível além de ser tremendamente assustador.
© e Investigação de J. Garrido
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